AESO - Faculdades Integradas Barros Melo

Carlos Eduardo Vasconcelos (esq.) e Ricardo Borges (dir.). Foto: Renata Siqueira.

Professor Carlos Eduardo Vasconcelos fala sobre novas perspectivas para a advocacia


Direito
agosto. 30, 2019

Confira a entrevista com o palestrante da Semana Jurídica

A Semana Jurídica das Faculdades Integradas Barros Melo (AESO) contou com diversas palestras e debates, e reuniu alunos e professores em torno do tema “O Desafio da Inovação em Direito”. Uma das apresentações, sobre as novas perspectivas para a advocacia, teve a liderança do advogado, professor e autor de diversos livros, Carlos Eduardo Vasconcelos. Durante o encontro, com a comunidade acadêmica da FIBAM, na manhã de 28/08, o convidado falou um pouco sobre os novos paradigmas jurídicos. O assunto rendeu e o restante da discussão você confere na entrevista a seguir:

AESO: Como é o trabalho da equipe de Mediação de Conflitos no Direito?
 
C.E.V: Consiste na possibilidade, daqueles que estão vivenciando conflitos e litígios judiciais, encontrarem soluções consensuais, com apoio de um terceiro, especializado e capacitado a facilitar o desenvolvimento de diálogos. Esses acordos obtidos valem como título executivo extrajudicial.  
 
AESO: Qual a importância da Medicação para a atuação jurídica?
 
C.E.V: Diante da sobrecarga do Poder Judiciário, com apoio do novo Código de Processo Civil Brasileiro e a Legislação da Mediação, essas práticas de soluções consensuais passaram a ser vistas como alternativas necessárias para que os advogados possam prestar um serviço mais rápido e os clientes saíam satisfeitos.
 
AESO: Como o senhor visualiza a advocacia no futuro?
 
C.E.V: Não temos uma ideia segura a respeito do futuro, mas com a Inteligência Artificial e os avanços de algoritmos e aplicativos, atividades como pesquisas e modelos de petições, por exemplo, tendem a ficar nas mãos dos robôs. O que vai, realmente, estar conosco, advogados, humanos, são atividades que tenham a ver com diálogos, debates, discussões. Nossa atuação foca no sentido presencial, de vivenciar trocas de emoções, sentimento e teses, na busca de soluções, que podem ser consensuais ou não.
 
AESO: Quais vantagens a Mediação de Conflitos pode trazer para os profissionais de Direito e para a sociedade?
 
C.E.V: Muitas. Na realidade, a mediação de conflitos é apenas uma das expressões da democracia. Porque uma sociedade democrática é aquela que desenvolve habilidades em lidar com as diferenças e capacidade de validar sentimentos, além de respeitar as pessoas nas singularidades e promover o diálogo para a criação de soluções consensuais e pacíficas. A Mediação gera o empoderamento da cidadania, no sentido da pacificação dos conflitos sociais. E isso é fundamental em sociedades cada vez mais horizontalizadas, em que as decisões que vêm de cima para baixo perdem a eficácia, e as soluções construídas pelos interessados passam a ter mais importância.
 
AESO: Quais dicas o senhor daria para os estudantes, em fase de formação, que estão se preparando para o mercado de trabalho? 

C.E.V: Estejam atentos para essas novas técnicas e práticas da advocacia resolutiva e colaborativa. Os métodos de mediação, negociação e comitês de resolução de disputas, constelações sistêmicas, ou seja, instrumentos desenvolvidos para que a advocacia dependa menos da estrutura do poder judiciário e mais do protagonismo do próprio advogado e clientes com as outras partes. Que os novos advogados estejam convivendo com isso e se desenvolvendo nesta direção.
 
SOBRE O ENTREVISTADO
 
Mestre em Direito pela PUC/SP. Especializado e com experiência em direito tributário/empresarial em importantes grupos empresariais, estudou nas Universidades de Harvard (EUA), Georgia (EUA) e na FGV/RJ. É negociador, mediador, árbitro, autor e docente em pós-graduações. Foi Diretor do Curso de Direito e Coordenador de Práticas Jurídicas e Restaurativas da UNIFG/PE. Conselheiro da OAB/ PE. Foi Diretor de Mediação e Vice-presidente do CONIMA. Consultor do ICFML e do CONIMA. Membro da Comissão Especial de Mediação e Conciliação do Conselho Federal da OAB. Membro do Instituto dos Advogados de PE. Palestrante emérito e professor honorário da ESA/PE. Professor “Honoris Causa” da Faculdade de Olinda. Integrou a Comissão de Juristas nomeados pelo Ministro da Justiça do Brasil para elaborar anteprojeto da atual Lei de Mediação. Compõe os quadros de mediadores da CAMARB, da CAM-CCBC, do CEMAPE e da Câmara da OAB/PE. Autor de inúmeros artigos e obras jurídicas, com destaque para “Mediação de Conflitos e Práticas Restaurativas” (6ª ed), São  Paulo: Método, 2018.

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