AESO - Faculdades Integradas Barros Melo

Foto: Thayse Medeiros.

#repercuteAESO: “Por que só em Novembro?”


Jornalismo
novembro. 29, 2019

Evento marca a programação do mês da Consciência Negra, na AESO-Barros Melo

Por Joily de Souza*

Novembro é o mês da consciência negra e, diante disso, as Faculdades Integradas Barros Melo (AESO) promoveram o evento “Por que só em Novembro?”, para discutir assuntos de interesse da população afrodescendente. O evento teve início  com uma mesa, realizada por alunos e egressos das FIBAM. PH Reinaux, Iyadirê Zidanes, Murilo Dayo e Ronald Santos Cruz assumiram a bancada e falaram sobre os projetos pessoais e as atividades que participam em relação à temática. A segunda parte do encontro contou com uma exposição de trabalhos artísticos realizados pelos alunos.

A apresentação inicial do dia 11/11 ficou com Iyadirê, estudante do 2º período de Cinema e Audiovisual. Ela fez uma performance com dança,  recitou poesias e contou sobre as experiências vividas enquanto mulher e negra. O estudante do curso de Fotografia, Murilo Dayo, falou mais sobre a produção do ensaio foto documental IYÁ’S, que registra o universo de duas mães, sobre o protagonismo da mulher negra na sociedade, seja com obrigações religiosas ou de trabalhos do cotidiano de cada uma delas.

Murilo Dayo afirmou sobre a importância do evento como uma  abertura de espaço para mostrar as pessoas que existem outros momentos de fala dos negros, não apenas em novembro. “As experiências que trago em minhas imagens são muito das vivências que tenho, não só a realidade das duas mães que trabalho, mas, como minha também. Assim mostro um pouco dos saberes do candomblé, sempre na tentativa da quebra do tabu, da intolerância religiosa,” reforçou.

PH Reinaux e Ronald Santos Cruz apresentaram os projetos Multifacetas e CrespoGrafia, respectivamente. PH falou sobre o processo de produção do Multifacetas, que deseja unir os quatro elementos do mundo (ar, fogo, água e terra) em paralelo com o afeto, em especial às pessoas negras. É com essa reação ao afeto que ele possibilita a representação de sentimentos dos indivíduos quando se refere à vivências. Ronald, ex-aluno do curso de RTVI, e, hoje, funcionário da instituição, expôs as fotos feitas no projeto criado por ele, o CrespoGrafia. O trabalho é idealizado para apresentar a população crespa e cacheada questões de autoaceitação, de forma que haja um resultado de empoderamento por parte desse público. Ao final, foi aberto um espaço para debates.

Raianne Romão, aluna do 2º período de Jornalismo, esteve presente no debate e, como pessoa branca, pontuou : "Eu não preciso ser negra para ficar incomodada. Entendo que as pessoas também deveriam pensar da mesma forma. É muito importante essa conversa, principalmente a gente que é branco e não convive com essa realidade. Afinal, eu não posso dizer como eu me sinto quanto a isso, é necessário escutar o outro” , concluiu.

Para Bela Maria, jovem negra, e aluna do 2º período do curso de Jornalismo, a iniciativa do evento é  importante para falar mais sobre o assunto, até que se torne comum e cresça o número de representatividade. Mas, não apenas em novembro. “É importante demais trazer esse tema em forma de debate numa faculdade, porque existem várias mentes com muitas ideias que, de fato, precisam de um rumo para criar uma real consciência do movimento negro”, disse. 


*Texto colaborativo do Laboratório de Jornalismo.

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